Capitulos

 

Capitulo 07

DISTÂNCIA DE VISIBILIDADE NAS RODOVIAS


7.1. FINALIDADES


a) Fornecer dados para o cálculo do comprimento da curva de concordância vertical convexa das rodovias;


b) Fornecer elementos para marcação de banquetas de visibilidade dos cortes em curva;


c) Fornecer elementos para sinalização das rodovias.


7.2. DISTÂNCIA DE VISIBILIDADE DE PARADA (Dp)


É a distância mínima necessária para que um veículo que percorre uma estrada possa parar antes de atingir um obstáculo na sua trajetória.


Fig. 7. 1: Distância de Visibilidade de Parada

D1 = parcela relativa à distância percorrida pelo veículo no intervalo de tempo entre o instante em que o motorista vê o obstáculo e o instante em que inicia a frenagem (tempo de percepção e reação).


D2 = parcela relativa à distância percorrida pelo veículo durante a frenagem.


Quando um motorista vê um obstáculo, leva um certo tempo para constatar se o objeto é fixo. Esse tempo depende de vários fatores, como condições atmosféricas, reflexo do motorista, tipo e cor do obstáculo e, especialmente, atenção do motorista.


A AASHTO, baseada em várias experiências, aconselha o uso do valor de 1,5 segundos para esse tempo de percepção. Adicionando-se a esse valor o tempo necessário à reação de frenagem (1,0s) , teremos o tempo total de percepção e reação igual a t= 2,5 s.


Logo:

com v em m/s e D1 em m.

Como em projeto geométrico de estradas é comum o uso da velocidade em km/h, torna-se necessário compatibilizar as unidades da seguinte maneira:

onde: V = velocidade de projeto em km/h;


D1 = distância percorrida durante o tempo de percepção e reação, em m.


Para o cálculo de D2, basta aplicar alguns conceitos de física: a energia cinética do veículo (Ec) no início do processo de frenagem deve ser anulada pelo trabalho da força de atrito ao longo da distância de frenagem (τFa). Assim:

Em unidades usuais, e sendo g = 9,8 m/s2, a equação (7.5) fica:

Quando o trecho da estrada considerada está em rampa ascendente, a distância de frenagem em subida será menor que a determinada pela equação (6), e maior no caso de descida.


Para levar em conta o efeito das rampas é usada a equação:

Assim, teremos para a distância de visibilidade de parada:

onde: Dp = distância de visibilidade de parada, em m;


i = greide, em m/m (+, se ascendente; - , se descendente);


V = velocidade de projeto, em km/h;


f = coeficiente de atrito longitudinal pneu/pavimento.


O coeficiente f exprime a atuação do processo de frenagem, seja a eficiência do sistema de frenagem, seja o esforço reativo longitudinal decorrente do atrito pneu/pavimento no caso de frenagem, considerando o pavimento molhado, em condições superficiais razoáveis.

Fig. 7. 2: Relação entre o coeficiente de atrito longitudinal e a velocidade

Medidas experimentais mostram que o valor de f não é o mesmo para qualquer velocidade. Além disso, esse coeficiente varia com o tipo, pressão e condições dos pneus do veículo, tipo e estado da superfície do pavimento, e especialmente, se o pavimento está seco ou molhado.


Os valores de f adotados para projeto, correspondentes à velocidade diretriz são apresentados na Tabela 7. 1.

Tabela 7. 1: Coeficiente de atrito longitudinal pneu/pavimento, considerando Vdiretriz

Alguns projetistas levam em consideração que em condições chuvosas, a velocidade efetiva do veículo é reduzida para um valor médio inferior à velocidade diretriz, de acordo com a Tabela 2.


Tabela 7. 2: Coeficiente de atrito longitudinal pneu/pavimento, considerando Vmédia

Em todos os cálculos envolvendo a distância de visibilidade de parada (Dp), recomenda-se adotar 1,10 metros como a altura dos olhos do motorista em relação ao plano da pista e 0,15 metros como a menor altura de um obstáculo que o obrigue a parar.


A distância de visibilidade de parada é utilizada nas interseções, nos semáforos e nas curvas verticais, entre outras aplicações.


7.3. DISTÂNCIA DUPLA DE VISIBILIDADE DE PARADA (D)


Denomina-se Distância Dupla de Visibilidade de Parada (D) a distância mínima que dois veículos podem parar quando vêm de encontro um ao outro na mesma faixa de tráfego. Ela é utilizada no projeto de curvas verticais convexas de concordância, podendo ser calculada pela expressão:

7.4. DISTÂNCIA DE VISIBILIDADE DE ULTRAPASSAGEM (Du)


É a distância que deve ser proporcionada ao veículo, numa pista simples e de mão dupla para que, quando estiver trafegando atrás de um veículo mais lento, possa efetuar uma manobra de ultrapassagem em condições aceitáveis de segurança e conforto.

Fig. 7. 3: Esquema de ultrapassagem para cálculo de Du

d1 = distância percorrida durante o tempo de percepção, reação e aceleração inicial;


d2 = distância percorrida pelo veículo 1 enquanto ocupa a faixa oposta;


d3 = distância de segurança entre os veículos 1 e 3, no final da manobra;


d4 = distância percorrida pelo veículo 3, que trafega no sentido oposto.

Durante os anos de 1938 a 1941 foram feitas numerosas observações de campo a respeito da manobra de ultrapassagem mostrada acima, chegando-se às seguintes equações.


Para estradas de Pista Simples:

Para estradas de Pista Dupla:

onde: Du = distância de visibilidade de ultrapassagem, em m;


V = velocidade diretriz em km/h;


a = aceleração em m/s2.


De acordo com o DNER:


Tabela 7. 3: Valores de “V” e “a” para cálculo de “Du”

A freqüência dos trechos que proporcionam visibilidade de ultrapassagem, bem como sua extensão, é restringida pelos custos de construção decorrentes. Entretanto, sempre que possível, essas distâncias de visibilidade deverão ser proporcionadas.


É recomendado que devam existir trechos com visibilidade de ultrapassagem a cada 1,5 a 3,0 km e tão extenso quanto possível. É sempre desejável que sejam proporcionadas distâncias superiores, aumentando as oportunidades de ultrapassagem e o número de veículos que a realizam de cada vez.

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