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Capitulo 06

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS PARA PROJETO DE ESTRADAS DE RODAGEM

6.1. INTRODUÇÃO


Projeto geométrico é a fase do projeto de estradas que estuda as diversas características geométricas do traçado, principalmente em função das leis do movimento, características de operação dos veículos, reação dos motoristas, segurança e eficiência das estradas e volume de tráfego.


Características geométricas inadequadas são causas de acidentes de tráfego, baixa eficiência e obsolescência precoce das estradas. Os diversos elementos geométricos devem ser escolhidos de forma que a estrada possa atender aos objetivos para os quais foi projetada, de modo que o volume de tráfego justifique o investimento realizado.


6.2. CLASSIFICAÇÃO DOS TERRENOS OU REGIÕES


Segundo as normas técnicas, as características técnicas das estradas são estabelecidas em função da Classe da Estrada e da Região onde ela será construída. Originalmente, a Norma de estradas do DNER estabeleceu 3 tipos de regiões: plana, ondulada e montanhosa. Posteriormente, foi também incluída na classificação a região escarpada. A Tabela 6.1 apresenta esta classificação.


Tabela 6. 1: Tipos de terrenos ou regiões

6.3. VELOCIDADE DE PROJETO OU VELOCIDADE DIRETRIZ


A American Association of State Highway and Transportation Officials (AASHTO) define velocidade de projeto (ou velocidade diretriz) como a máxima velocidade que um veículo pode manter, em determinado trecho, em condições normais, com segurança.


A velocidade de projeto é a velocidade selecionada para fins de projeto da via e que condiciona as principais características da mesma, tais como raios de curvatura, superelevação e distâncias de visibilidade, das quais depende a operação segura e confortável dos veículos. A velocidade de projeto de um determinado trecho de estrada deve ser coerente com a topografia da região e a classe da rodovia.


Em uma determinada estrada deve-se sempre adotar uma única velocidade de projeto, usando-se velocidades diferentes em casos especiais. A variação acentuada na topografia da região é um motivo para o uso de trechos com velocidades de projeto diferentes. Um dos principais fatores que governam a adoção de valores para a velocidade diretriz é o custo de construção resultante. Velocidades diretrizes elevadas requerem características geométricas mais amplas (principalmente no que se refere a curvas verticais e horizontais, acostamentos e larguras) que geralmente elevam consideravelmente o custo de construção.


Definida a velocidade de projeto, a maioria das características geométricas serão calculadas em função dessa velocidade. A Tabela 6.2 resume os valores das velocidades diretrizes a serem adotas para as diferentes classes de projeto.


Tabela 6. 2: Velocidades de projeto ou velocidade diretriz (km/h)

6.4. VELOCIDADE DE OPERAÇÃO


Circunstâncias locais poderão exigir a fixação de uma velocidade inferior à velocidade de projeto denominada velocidade de operação. Dessa forma, a velocidade de operação é definida como sendo a mais alta velocidade permitida aos veículos, sem atingir a velocidade de projeto, estabelecida por condições locais.
A velocidade de operação é utilizada nos estudos de capacidade e níveis de serviço da via.


5. VEÍCULOS DE PROJETO


Denomina-se veículo de projeto o veículo teórico de uma certa categoria, cujas características físicas e operacionais representam uma envoltória das características da maioria dos veículos existentes nessa categoria. Essas características condicionam diversos aspectos do dimensionamento geométrico de uma via, tais como:


• A largura do veículo de projeto influencia na largura da pista de rolamento, dos acostamentos e dos ramos de interseções;
• A distância entre eixos influi no cálculo da Superlargura e na determinação dos Raios Mínimos internos e externos das pistas dos ramos das interseções;
• O comprimento total do veículo influencia a largura dos canteiros, a extensão das faixas de espera, etc;
• A relação peso bruto total / potência influencia o valor da rampa máxima e participa na determinação da necessidade de faixa adicional de subida;
• A altura admissível para os veículos influi no gabarito vertical.
A escolha do veículo de projeto deve levar em consideração a composição do tráfego que utiliza ou utilizará a rodovia, obtida de contagens de tráfego ou de projeções que considerem o futuro desenvolvimento da região.
Existem quatro grupos básicos de veículos de projeto a serem adotados, conforme as características predominantes do tráfego (no Brasil, normalmente o veículo CO):
• VP: Veículos de passeio leves, física e operacionalmente assimiláveis ao automóvel, incluindo utilitários, pickups, furgões e similares;
• CO: Veículos comerciais rígidos, compostos de unidade tratora simples. Abrangem os caminhões e ônibus convencionais, normalmente de 2 eixos e 6 rodas;
• SR: Veículos comerciais articulados, compostos normalmente de unidade tratora simples e semi-reboque;
• O: Representa os veículos comerciais rígidos de maiores dimensões que o veículo CO básico, como ônibus de longo percurso e de turismo, e caminhões longos.


A Tabela 6.3 resume as principais dimensões básicas dos veículos de projeto recomendados para utilização nos projetos geométricos de rodovias no Brasil.


Tabela 6.3: Dimensões básicas dos veículos de projeto (m)

As dimensões básicas dos veículos de projeto estão representadas graficamente nas Figuras 6.1, 6.2, 6.3 e 6.4, apresentadas a seguir.

Fig. 6. 1: Dimensões do veículo de projeto VP (cm)

Fig. 6. 2: Dimensões do veículo de projeto CO (cm)

Fig. 6. 3: Dimensões do veículo de projeto O (cm).

Fig. 6. 4: Dimensões do veículo de projeto SR (cm)

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